Suriname: The Cost of Sugar

Resenha nº 11: The Cost of Sugar – Cynthia McLeod

A resenha de hoje é sobre The Cost of Sugar (O custo do açúcar, em tradução livre), de Cynthia McLeod, representante de Suriname, um país do qual pouco se houve falar. Pela minha pesquisa, ele não foi traduzido para o português e muito menos lançado no Brasil, eu encontrei o ebook à venda na biblioteca da Google Play, em inglês.

Originalmente, a obra parece ter sido escrita em neerlandês, idioma oficial de Suriname. Espero não ser a única a estar surpresa por Suriname ter sido uma colônia holandesa, já que na América do Sul os espanhóis e portugueses predominaram. Esse livro foi tão interessante que pretendo contá-lo em detalhes aqui, porque acho que poucos teriam a oportunidade de lê-lo.

A new day has dawned. For the slaves, a new day of hard labour, a new day in the endless progression of days devoid of the faintest ray of hope.

Um novo dia amanheceu. Para os escravos, um novo dia de trabalho duro, um novo dia na progressão sem fim dos dias desprovidos do mais fraco raio de esperança.

Como diversas colônias americanas, Suriname também dependia da mão de obra negra escravizada para produção de cacau, café e, principalmente, açúcar em latifúndios. A dependência era tão grande, que cada cidadão branco possuía um escravo pessoal que era como sua sombra, por vezes juntos durante toda a vida.

A história se passa no século XVIII, entre 1765 e 1779, a partir dos pontos de vista de Elza Fernandez e Sarith A’haron, ambas moças de 17 anos. Elza é uma menina de beleza mediana, porém muito doce e de bom caráter, sempre tratou os escravos com decência e respeito, apesar da sociedade branca considerar escravos em posição inferior à dela.

Assim como seu pai, Elza era contra a violência exagerada e pensava que tratados de paz deviam ser firmados com os grupos de escravos que escapavam. Entretanto, a moça não defendeu o fim da escravidão ou nada do gênero, pois sua natureza é muito submissa para se rebelar contra o sistema.

O pai de Elza, Levi Fernandez, casou-se com a viúva de A’haron, mulher que fora prometida para ele em casamento quando jovem. Naquela época, Levi se apaixonou e casou com Elizabeth, que seguia a religião luterana. O tópico religioso também é muito interessante, pois os responsáveis pelo início da colonização de Suriname foram as famílias judias como a de Levi. O rigor é tão grande, que casamentos com pessoas de religiões diferentes são muito mal-vistos.

A lei judaica determina que são judeus apenas os filhos de mãe judia, por isso Elza é luterana como sua mãe e fica de fora dos diversos acontecimentos religiosos que envolvem a sua família. Mesmo em outras festas, os banquetes são oferecidos em salas diferentes para judeus e não-judeus.

Em uma dessas festas, celebração do aniversário da sinagoga de Joden-Savanna – a menina dos olhos da comunidade judaica, onde existe um belíssimo templo –, Elza fica do lado de fora e é abordada por um visitante que chegou há pouco nas colônias, Rutger Le Chasseur. O estrangeiro tem um avô francês, embora ele mesmo seja holandês e cristão. Em decorrência disso, ambos saem para caminhar durante a celebração na sinagoga.

“‘Le Chasseur, Rutger Le Chasseur is my name; please excuse me for not having introduced myself earlier.’

‘How long have you been in the colony?’, asked Elza.

‘Oh, not so long, about three months.’

‘And how has it been so far?’

‘Hot, very hot’, answered Rutger.”

‘Le Chasseur, Rutger Le Chasseur é o meu nome; por favor, perdoe-me por não me apresentar antes.’

‘Há quanto tempo você está na colônia?’, perguntou Elza.

‘Oh, não muito, aproximadamente 3 meses.’

‘E como tem sido até agora?’

‘Quente, muito quente’, respondeu Rutger.

Quando a mãe de Sarith casou-se com Levi, a mulher se mudou com as filhas para a fazenda Hébron, lar de Elza. Assim, Sarith é meia-irmã de Elza e elas eram como carne e unha, amigas inseparáveis.

Sarith é dona de uma beleza espetacular, todos a elogiavam e nenhum homem era indiferente a ela. Porém, não existem outras qualidades que se possa atribuir à moça. Ela gostava muito de festas e eventos sociais, era mimada, egoísta e cruel. Sua personalidade, opiniões e objetivos de vida representam bem a sociedade daquela época, frívola e inútil, ou seja, Sarith é a personificação da alta sociedade surinamesa.

Sua enorme beleza de fato atraía homens e ela teve casos com alguns, perdendo a virgindade antes de casar-se, embora sua reputação ainda não estivesse manchada. Entretanto, nenhum homem se atreveu a pedi-la em casamento, o que a deixou muito frustrada. Até sua irmã Rebecca, que era surda, estava casada e ela não.

Every time Sarith considered that Elza was married, Rebecca was married, and so were all the other girls of her age, she got annoyed. How was this possible? After all, she was more beautiful than all the others. Men had always considered her attractive. Right from an early age she was admired by everyone for her beauty, and look now – twenty years old and unmarried; an old spinster. The coming week, on the twenty-second of January, she would be twenty. Was there ever a woman of twenty in this colony still unmarried? And that it should be her of all people, she, Sarith A’haron, the most beautiful of them all. When all this crossed her mind she became angry and defiant. This must change. But how? – she herself had no idea.

Toda vez que Sarith considerava que Elza estava casada, Rebecca estava casada, assim como todas as outras moças da sua idade, ela ficou incomodada. Como isso era possível? Afinal, ela era mais bonita do que todas as outras. Os homens sempre consideraram-na atrativa. Desde quando era jovem ela era admirada por todos por sua beleza, e olhe agora – 20 anos e solteira; uma solteirona. Na semana seguinte, no dia 22 de janeiro, ela teria 20 anos. Alguma vez existiu uma mulher de 20 anos ainda solteira nessa colônia? E de todas as pessoas teria que ser ela, Sarith A’haron, a mais bonita de todas. Quando isso tudo passou por sua cabeça ela ficou brava e desafiadora. Isso precisa mudar. Mas como? – ela mesma não tinha a menor ideia.

O primeiro caso de Sarith, quando ela tinha 15 anos, terminou de modo desastroso, mas ninguém soube dos detalhes dessa relação clandestina.

Sarith and Elza had to return immediately to the plantation and Charles was sent to Holland by his parents. Oh, she understood perfectly well why. She was a Jewess and Charles was not. Many well-to-do Christian plantation owners wanted as little as possible to do with Jews, as if they were an inferior type of person. Ridiculous: they were all whites, after all!

Sarith e Elza tiveram que retornar imediatamente para a plantação e Charles foi mandado para a Holanda pelos seus pais. Oh, ela entendeu muito bem o porquê. Ela era judia e Charles não. Muitos cristãos donos de plantações bem-sucedidas queriam o mínimo de contato com judeus, como se eles fossem um tipo de pessoa inferior. Ridículo: eles eram todos brancos, afinal!

Rutger Le Chasseur descende do ramo pobre de sua família, porém, seu rico tio-avô, dono de uma banco na Holanda, não tinha outros herdeiros. A fim de preparar o sobrinho para os negócios, enviou-o para a colônia, pois seu representante desejava aposentar-se e deixar Suriname. Assim, no início Rutger era um estrangeiro pobre e sem prestígio social.

Quando o rapaz conhece Elza, descobre que a moça era fruto de um casamento misto e tinha opiniões favoráveis ao bem-estar dos trabalhadores escravizados, que coincidiam com suas próprias opiniões. Assim, ele passou a dar-lhe muitas atenções e ver na moça todas as boas qualidades de uma esposa.

Rutger passa a amar Elza de um modo terno, embora em uma conversa particular não lhe tenha prometido fidelidade. Isto é, ele se comprometia a dedicar seus sentimentos à Elza, mas não limitaria o seu desejo físico.

Como todos os outro homens, Rutger não era indiferente à beleza de Sarith. Depois do casamento, a moça começou a retribuir as atenções recebidas dele e começam a ter um caso. Sarith permanecia por longos períodos hospedada na casa de Elza na capital, Paramaribo, até então única cidade do país.

mansão antiga em Paramaribo, Suriname

Foto: Mansões de Paramaribo

Obviamente, Elza se deu conta do que estava acontecendo debaixo de seu teto e isso lhe provocava muita dor. Não acreditava que seu marido e sua irmã, sua melhor amiga, tivessem lhe traído, muito menos em sua própria casa! Porém, devido à sua natureza calma e submissa, Elza não conseguia confrontar Rutger e tomar uma atitude.

Elza suportou a situação por um longo tempo, chorando e sofrendo, até Rutger finalmente se dar conta do que estava acontecendo e tentar dar um ponto final ao caso. Contudo, é claro que Sarith não poderia aceitar a derrota. Quando Elza ficou grávida, ela se tornou tão ciumenta e possessiva que já não tentava disfarçar os flertes e monopolizava a atenção do marido da irmã.

Quando o bebê nasceu, Sarith lamentou que o parto tenha sido bem-sucedido e Elza estivesse bem. Sim, ela chegou ao ponto de desejar a morte de Elza mais de uma vez como pretexto para se casar com Rutger. Ele, no entanto, era fiel em sentimentos à esposa e, embora Sarith tenha trazido-o para sua cama, não conseguiu entrar em seu coração.

Pouco tempo depois, o relacionamento de Rutger e Sarith começou a se deteriorar. Elza finalmente se abre com Maisa, sua escrava pessoal, que embora soubesse o que estava acontecendo, não podia comentar o assunto devido à sua posição de serviçal.

Maisa incentiva Elza a tomar alguma atitude e se dispõe ela mesma a tentar ajudar, consultando uma ex-escrava com poderes espirituais para afastar Sarith. De fato, Sarith parte, mas logo retorna e então Elza decide colocar um ponto final nessa história expulsando-a de sua casa, com consentimento de Rutger, que já não se interessava pela moça.

Algum tempo depois, Elza e Rutger partem em uma viagem para a Holanda, onde ficam por seis meses. Os holandeses se decepcionam quando veem que Elza, oriunda de um país tão exótico, fosse uma menina normal, mas deleitam-se com os escravos, que falam de modo engraçado e têm pele tão escura que se tornam entretenimento. Mas o mais especial da viagem foi a descoberta de que os brancos na verdade sabem trabalhar!

The favourite topic to be recounted was how in Holland the whites actually did manual labour.

The others had not believed this at first. Maisa and Afanaisa were trying to take them for a ride! Even when Alex confirmed it, they could not believe it, and Misi Elza had to intervene and confirm that it really was the case: in Holland the whites worked. And the slaves rolled around laughing, roaring their heads off with tears in their eyes. Really true?

O tópico favorito para ser recontado era como na Holanda os brancos na verdade faziam trabalho braçal.

Os outros não acreditaram no começo. Maisa e Afanaisa estavam tentando pregar uma peça neles! Mesmo quando Alex confirmou, eles não podiam acreditar nisso, e Misi Elza teve que intervir e confirmar que esse era mesmo o caso: na Holanda os brancos trabalhavam. E os escravos rolaram de rir, balançando a cabeça com lágrimas nos olhos. Sério mesmo?

Motivado pela viagem, Alex, o escravo pessoal de Rutger, manifestou seu descontentamento ao patrão e disse que gostaria de trabalhar como um homem livre, mesmo que fosse pobre.

Rutger nunca se adaptou bem a ter alguém seguindo-o o tempo todo e desde o início notou a inteligência de Alex. Por isso, ensinou o escravo a falar bem holandês, além de ler, escrever e fazer contas. Assim, Rutger propôs pagar um salário a Alex, de modo que este pudesse poupá-lo para comprar sua liberdade. E assim o fez.

Com seu primeiro salário de trabalhador livre, Alex comprou um par de sapatos. Os escravos deviam sempre andar descalços, de modo a indicar sua posição na sociedade.

Nesse período, cerca de 5 anos após o início da história, os negros que escapavam das fazendas estavam se organizando na floresta e invadindo as plantações de famílias brancas que maltratavam seus escravos.

Em geral, todos os brancos eram mortos, exceto as crianças, os negros eram libertados, a plantação era queimada e a fazenda espoliada. Se por acaso o senhor estivesse ausente e então sobrevivesse, ficaria muito endividado e teria que procurar ajuda no banco.

It was happening more frequently that people in the town were shocked by the news that yet another plantation had been raided. It appeared that the escapees were becoming increasingly bolder. Rutger wondered whether one could still talk of escapees. In his view they were well-organized groups.

On every occasion you heard that the group was led by a certain Boni, and in the town people were already using the term Boni-negroes.

Estava acontecendo com mais frequência que as pessoas na cidade ficassem chocadas pelas notícias de que outras plantações foram invadidas. Parecia que os fugitivos estavam se tornando cada vez mais ousados. Rutger se perguntava se ainda se podia falar em fugitivos. Em seu ponto de vista, eles eram grupos bem organizados.

Em todas as ocasiões você ouvia que o grupo era liderado por um certo Boni, e na cidade as pessoas já estavam usando o termo Boni-negroes.

O governo surinamês pediu reforço para o exército à Europa, com o objetivo de exterminar os escravos rebeldes. Além de subestimar a inteligência dos negros, os soldados eram totalmente despreparados para se embrenhar na selva, de modo que o exército era um desperdício de vidas e um investimento caríssimo. Por isso, criaram-se ainda exércitos de escravos e depois de homens de cor livres que quisessem lutar. Os rebeldes deviam ser reprimidos, pois um acordo de paz implicaria no fim da escravidão, o que seria impossível.

Para mostrar melhor a vida dos negros na selva, conhecemos Jan, um rapaz holandês de 19 anos que se alistou para o exército a fim de procurar por ouro em Suriname. Na selva, ou no inferno verde, como ele chama, contraiu diversas doenças e já estava fraco quando seu grupo se deparou com alguns negros. Foi engraçado, porque a primeira reação dos soldados foi fugir. Nunca se viu um exército tão inútil.

Jan quebra a perna quando tenta pular sobre um tronco e não consegue. Ele é resgatado por uma dupla de negros que o levam para a vila e tratam de seus ferimentos. Jan fica assustado e admirado pela inteligência e o pacifismo das pessoas, o povo vive em uma comuna, onde todos trabalham e dividem igualmente a produção, assim garantindo a sobrevivência.

Quando se recupera, Jan é enviado de volta com a missão de comunicar aos brancos que os fugitivos querem apenas ser deixados em paz dentro da floresta e contar sobre sua experiência na comuna.

Quando chega a Paramaribo, Jan não sabe a quem confiar a mensagem. Por fim, escolhe o tenente Reindert Andersma, que o ridiculariza na frente de Sarith. Então Jan sabe que ninguém acreditaria nele, não veriam nada além de uma boa piada, e percebe que não é capaz de cumprir a tarefa.

Quando Elza e Rutger retornaram da Europa, foram informados do casamento de Sarith com Julius Robles de Medina. Em seu desespero, Sarith casou-se com Julius, de quem zombava por seu grande nariz, o que despertou a curiosidade de Elza.

Julius era apaixonadíssimo por Sarith, que conseguia o que queria quando fazia birra. Ela ficava pouco na plantação, pois gostava de festas e Klein Paradijs (Pequeno Paraíso) era uma pequena fazenda de café localizada longe da cidade e seus vizinhos já eram idosos.

Assim, Sarith costumava ir a Paramaribo com frequência. Em uma dessas festas, ela conheceu o tenente Andersma e começou um caso com ele, que era de conhecimento do país inteiro, exceto de seu marido. Nesta época, Sarith já tinha um filho de Julius, o menino Jethro, que foi criado por sua escrava pessoal, Mini-Mini.

O exército tentou uma nova estratégia para conter o avanço dos negros, criando um cordão de isolamento com postos de fiscalização e expedições para queimar vilas e plantações. Certa vez, o tenente Andersma foi enviado a uma região próxima a Klein Paradijs e então Sarith retornou para casa.

Por acaso, Julius teve de ir a Paramaribo, mas para sua surpresa a esposa decidiu permanecer na fazenda. Julius era um bom patrão e um homem justo, mas mesmo assim a plantação foi invadida em sua ausência por um novo grupo, liderado por Agosu.

Durante a invasão, Andersma foi morto no corredor da casa de Sarith. Kwasiba, mãe de Mini-Mini, escondeu a filha, a patroa e Jethro em um armário, distraindo em seguida Agosu para evitar que este vasculhasse o quarto. Os três ficam mais de um dia escondidos lá, de modo que Jethro precisava fazer suas necessidades, o que poderia delatá-los pelo cheiro.

Com urgência, Kwasiba tenta tirar o menino de dentro do armário enquanto Agosu sai do quarto por um momento, mas não são rápidos o suficiente. Agosu flagra o menino branco, e diferente dos outros negros, ele não tem pena das crianças, na verdade, diz que gostaria de cortar dedo por dedo da criança na frente da sua mãe.

Kwasiba protege o menino e neste exato momento, os invasores alardeiam a chegada de soldados. Julius chega da cidade com um destacamento a tempo de salvar seu filho. Infelizmente, também descobre o corpo meio nu do tenente em seu corredor.

Sarith entra em desgraça, ela estava grávida e a criança é de Andersma. Julius quase a mata pela traição, algo surpreendente, devido a seu temperamento calmo e afável. Ele já não quer mais contato do que o estritamente necessário com Sarith, sob a condição de que agora em diante ela seja uma esposa exemplar.

Julius tenta reerguer a plantação pedindo ajuda a Rutger, que agora tem controle do banco. Nessa nova fase da sua vida, estressante, encontra nas massagens de Mini-Mini o conforto do qual precisa, e não só isso, sente seu coração reaquecer pelos sentimentos cálidos que cultiva pela moça. Ela também passa a encantar-se pelo bom homem que ele é, mas não tenta seduzi-lo. Julius acaba dando o primeiro passo e começam uma relação cheia de amor.

É claro, Sarith não poderia aceitar tal arranjo dentro de sua casa. Seu descaramento não tem fim. Sabendo que Mini-Mini é propriedade sua, encontra os papéis e arruma um pretexto para ir a Paramaribo com Jethro (Mini-Mini era sua babá) a fim de vendê-la e afastá-la de Julius.

Seu marido descobre seu plano muito tarde e quando chega à cidade encontra seu filho à procura da moça, perguntando a todos sobre seu paradeiro. Benny, seu escravo pessoal, descobre o comprador e informa ao seu patrão, e vão ambos ao resgate. Após um ato heroico, Julius planeja instalar Mini-Mini em uma casa na cidade e visitá-la quando puder.

Em relação aos negros fugitivos, o cordão do exército funcionou, de modo que eles se embrenharam mais e mais na selva, ultrapassando a fronteira para a Guiana Francesa. Certamente os franceses não ficaram feliz com os negros perambulando em seu país, mas deixaram-nos em paz, de forma que nenhum dano foi causado.

Em paralelo, em Suriname houve um surto de febre amarela, que dizimou parte da população. Todas as famílias estavam de luto por algum parente próximo. A pequena filha dos Le Chasseurs, Abigail, foi levada, assim como Maisa. Jethro e outros primos também.

Julius decide então abandonar a fazenda, já que não conseguia bons resultados e não teria um herdeiro. Vendeu tudo o que podia e se mudou para a casa de Mini-Mini, deixando Sarith livre para ir à casa dos pais e prometeu o divórcio caso ela o desejasse para um novo casamento.

A morte de Maisa fez Elza compreender sua dependência daquela escrava. Ela mesma não sabia nem onde comprar farinha. Sua família era um modelo de família surinamesa, de uma sociedade totalmente dependente dos escravos.

Após tantas perdas e humilhação, talvez Sarith tenha caído em si. No funeral da mãe de Levi, avó de Elza, ela chamou a moça para uma conversa, o que não fazia há vários anos, e pediu perdão. Elza ficou chocada, mas por fim aceitou o pedido de sua irmã, amiga de vários anos.

E aqui termina a história. Sei que o texto ficou longo, eu ainda omiti algumas histórias secundárias, mas tudo era voltado ao estilo de vida surinamês da época, muitos detalhes eram importantes. Eu quis mostrar alguns trechos para que vocês pudessem conhecer o estilo da autora, acho que alongou ainda mais o texto…

Enfim, hoje aprendemos o que já foi afirmado várias vezes em outras obras, como Huasipungo: a exploração dos mais fracos e a total dependência da escravidão para sustentar a economia colonial. Descobrir que os brancos sabem fazer trabalho braçal chega a ser engraçado e motivo de pena dos escravos.

É também importante a afirmação de que os negros escravizados não eram menos inteligentes que os brancos, algo que Rutger deixa muito claro em seus pontos de vista e justifica seu tratamento a Alex.

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Ficha Técnica:

Autor: Cynthia McLeod

Editora: HopeRoad Publishing

Edição: 1

Ano: 2011

Formato: Ebook

Idioma: Inglês

 



Categorias:Favoritos, Livro completo, Países, Resenha, Romance

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