Bartleby, o escriturário

Eu sou a única pessoa que gosta de ler resenhas DEPOIS de ler o livro? (risos) Confesso que quando a curta história sobre Bartleby acabou eu tinha muitas dúvidas e não sabia o que pensar.

Essa não é uma história de grandes acontecimentos, na verdade, ela narra um pouco a cena burocrática dos escritórios de direito nos Estados Unidos do século XIX, que dependiam de intenso trabalho manual.

Por vezes, a história assume um tom cômico. Em outras, faz uma análise profunda da personalidade de cada personagem. Em outras ainda, mostra como nos deixamos influenciar pela opinião de nossos pares. Entretanto, Bartleby é uma figura enigmática, calada e que se torna completamente apática no decorrer do livro.

Inicialmente, Bartleby trabalhava como copista, isto é, fazia cópia de documentos. Estranhamente, ele se recusava a revisar o seu trabalho em grupo. Quando questionado sobre sua recusa, o homem respondia um calmo e impessoal “prefiro não fazer”. Essa se tornou a sua resposta padrão para qualquer solicitação.

Realmente, eu gostaria muito de saber o porquê dessa atitude (na verdade, da falta de atitude). De certa forma, é algo corajoso. Bartleby mantém sua decisão com firmeza, diferente dos demais personagens que mudam de opinião de acordo com seu humor ou para proteger sua reputação.

Pensando nisso, deixei minha mente vagar e acabei me perguntando o que teria acontecido a Bartleby na Alemanha nazista. Talvez seja um questionamento descabido, mas uma explicação relativamente comum dos alemães da época é que eles estavam apenas cumprindo ordens. Acho que um Bartleby alemão teria sido uma pedra no sapato de algum superior e causaria um imenso desconforto entre seus colegas (supondo que ele não fosse imediatamente executado).

Bom, acho que meus pensamentos voaram bem longe dessa vez! (risos) Apesar de toda a curiosidade, gostei bastante da história e dei algumas risadas. Ouvi o audiolivro pelo Ubook e a narração estava ótima, deixo aqui meus parabéns ao Francisco Ramos pelo trabalho bem executado!

Gostou dessa resenha? Conheça também a história de El Moto, que se passa mais ou menos no mesmo período na Costa Rica!


Ficha Técnica:

Autor: Herman Melville

Editora: Rocco

Edição: 0

Ano: 2009

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