Resenha: You’re My Pet

Às vezes eu acho que sou uma pessoa estranha. Outras vezes eu tenho certeza disso. Eu gosto bastante de coisas novas e diferentes (aliás, por isso comecei o desafio que originou esse blog). Uma dessas coisas é consumir conteúdo asiático, em especial da Coreia do Sul (antes de ser modinha).

Nas minhas andanças por essas mídias alternativas, vi em 2013 o filme coreano You’re my Pet, uma adaptação do mangá Kimi Wa Petto, com 14 volumes publicados no Japão entre 2000 e 2005. Desde o filme, essa história já era uma das minhas favoritas da Ásia.

Já tem resenha de livro japonês aqui no blog, confira!

Com o Amazon Prime, vi que os mangás estavam disponíveis em inglês e decidi lê-los. Porém, nesse meio tempo fui compartilhando a história com uma pessoa muito especial na minha vida que partiu sem conhecer o final. Isso alterou demais a percepção da história para mim.

You’re my Pet conta a história de Sumire Iwaya, uma jornalista de currículo muito respeitável que é apaixonada pelo trabalho. Na verdade, ela é uma workaholic e também o retrato da mulher moderna, que precisa se virar para desenvolver múltiplas habilidades e equilibrar diversos papéis (profissional, amoroso e dona de casa).

Apesar de não ter o currículo de Sumire, me vi muito nela, principalmente pela personalidade e desafios na vida. Ela é uma mulher de 27 anos, independente, dedicada, séria e tímida, muito preocupada com a impressão que os outros têm dela. Ela aparenta ser forte, mas descobrimos mais tarde como ela é frágil.

A única pessoa que conhece sua fragilidade é Takeshi Gouda, um jovem rapaz de 20 anos, que ela encontrou na rua e levou para dentro para tomar banho e se alimentar. Sim, não é algo recomendado, mas é a partir daí que a história começa.

Takeshi se apaixonou por Sumire e isso o fez desejar continuar vivendo com ela. Solitária, Sumire lembra de seu animal de estimação da infância e despretensiosamente afirma que ele pode ficar caso se sujeite a substituir Momo. Surpreendentemente, ele aceita.

Sumire não enxerga Takeshi/Momo como um homem (ou tenta se convencer disso) até o décimo segundo volume. Até lá, ela tenta superar o ex-namorado que terminou o relacionamento por ela ser mais alta, mais formalmente educada e mais bem paga que ele. Obviamente, ele não merecia esse mulherão da porra.

Sumire tenta se relacionar com outros caras, dessa vez “superiores” a ela nos três quesitos que eu citei. Ela percebe que isso não é suficiente para lhe garantir felicidade. O primeiro homem desiste dela quando descobre sua relação com Takeshi, o que é um alívio.

Em seguida, somos apresentados ao terceiro personagem dessa história: Shigehito Hasumi, colega de Sumire na faculdade e também seu amor platônico. Eles engatam um romance baseado nas lembranças de 8 anos atrás, quando ainda eram estudantes (esse plot do primeiro amor é um clichê asiático).

Apesar de Sumire desejar Hasumi e ter sentimentos por ele, algo não está certo na relação deles. Sem saber o que é, Sumire insiste, apesar de não demonstrar sua paixão de modo tão intenso quanto Hasumi por ela. Na verdade, isso a faz se sentir muito desconfortável.

Aqui, tenho que dizer que me identifico demais com a Sumire, também tenho dificuldade para expressar meus sentimentos. Isso não seria necessariamente um problema, se a vida não tivesse me dado esse golpe e tirado essa pessoa de mim de modo definitivo. Hoje me sinto culpada por não me esforçar mais e corresponder aos sentimentos dele à altura.

Não sigam o exemplo da Sumire, ok? Saiam da zona de conforto! Pela paz de espírito de vocês.

Mesmo quando Sumire, quase 3 anos mais tarde, toma coragem para amar Takeshi/Momo sem a fachada de pet, ela ainda se preserva e evita demonstrar demais. Eles ficam um tempo separados, cada um focado em sua carreira, e se reúnem alguns meses depois.

Essa parte eu li depois de ter perdido o MEU amor, então já queria dar um chacoalhão na Sumire. Não sejam bobos, se a prioridade de vocês é o relacionamento, aproveitem cada segundo. E se não for prioridade, talvez seja uma boa ideia repensar esse relacionamento.

Bom, espero não ter chateado ninguém com os “spoilers”, já que só expliquei um pouco melhor as capas e convenhamos que o rumo da história é bem óbvio. A grande questão é o desenrolar, que nos primeiros 5 livros é interessante, existem várias reflexões sobre o ser humano e a vida moderna.

Dali em diante, acredito que a série se tornou famosa, já que a cada volume temos fan service e pouco desenvolvimento da história principal. É legal, mas eu fiquei um pouco de saco cheio.

O mangá tem cenas quentes (muito boas), porém, não vulgares, nada impróprio para maiores de 14 anos, exceto consumo de álcool e cigarro.

Peço desculpas também caso alguém tenha se incomodado com meus problemas pessoais. Mas eu prometi contar o final da história para ele e estou usando o blog como terapia. Estou pirando aqui (minha ida à psicóloga já está agendada).

(Puta merda, a música de fundo enquanto escrevo me lembrou que não veremos The Man in the High Castle juntos. E agora? Estou triste de novo, obrigada Hush do Hellyeah)

Bom, para finalizar, esse é um bom mangá e eu recomendo a leitura. Além da adaptação coreana, existe uma adaptação japonesa em forma de série. Eu planejava assistir, mas agora não tenho ânimo para mais nada. Está disponível no Viki.

Essa história tem um final feliz para todos (mais para uns do que para outros), mas não sejam como a Sumire. Tenham a coragem e a ousadia que eu não tive, pode não haver uma segunda chance.



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